14/03/2016

~~TEMPERAMENTO NOSTÁLGICO~~


sentindo-se nostálgico
em Osvaldo Aranha
~~TEMPERAMENTO NOSTÁLGICO~~
(aviso: TEXTÃO)

A Katia Suman deu entrevista na qual se descreveu com esse termo (pelo qual me identifiquei) ao posicionar-se sobre o documentário (que acabei de ver): "Não tenho temperamento nostálgico"...
Por outro lado, minha memória (pra não dizer "eu") sentiu-se afetivamente tocada ao lembrar de Poa e dos amigos e das "bandas" (vâmo dá uma banda na Osvaldo? rs) e bebedeiras e tudo pelo que passamos nesse lugar. Ao mesmo tempo questionei o papel de sua influência na minha personalidade e no que me transformei. Acabei chegando na hipótese de conclusão que foi motivadora de minha evasão migracional: tenho pavor de burgueses sebosos, sejam eles da minha terra natal ou não. Essa cena do Bom Fim gerou uma aura underground que propagou ideias de comportamento e estilo influentes na vida de seus frequentadores, incluindo eu, é claro: um lumpemproletariado que parecia ter descoberto o paraíso. E olha que isso foi no fim daquilo que já era o fim do fim da decadência da Osvaldo: final dos anos 90. Mergulhei com tudo na ideia de sexo drogas e rock n' roll. Gente, não virei evangélico, acalmem-se, só queria compartilhar os pensamentos que me vieram à tona...

Quem diria que hoje poderíamos ter acesso ~gratuito~ a um filme através de aparelho que a princípio foi criado pra fazer ligação telefônica sem fio? Pesando prós e contras hoje em dia sou fruto das escolhas que fiz nessa época: eterno wannabe: quero ser escritor, ator, roqueiro poeta beatnick livre alternativo ou pelo menos queria até 2004, ano em que decidi acabar com tudo aquilo ao mesmo tempo (bem, tudo não, sexo e rock n' roll continuam, rs) e entrei numas de saúde boa alimentação voltar a estudar malhar e ler loucamente e trabalhar pesado etc. Talvez, talvez não: de certo que magoei e deixei de falar com muita gente nessa época porque, cabeça fraca, achava que poderiam me levar de volta praquele mundo. Lembro duma época que eu passava dias no bar João sem comer nada, só bebendo. Não sabia mais como tinha conseguido voltar pra casa, de repente simplesmente acordava e tava na minha cama sem lembrar do que tinha acontecido na noite anterior. Vivia tão chapado e fazia tanta mistura louca de droga que num determinado momento realidade e ficção se confundiram na minha cabeça, eu não sabia se tava sonhando ou se tava acordado. Lembro duma vez que de repente quando "caí em mim" tava conversando com uma senhora idosa no sinistro bar Van Gogh. Tava flertando com ela e, como se aquilo fosse uma coisa fantasmagórica, achava que tinha a missão de levá-la de volta pra casa, o que fiz e o lugar era tipo num convento! De outra feita o lance era com animais: cavalo, escorpião, pássaros, mariposa, vermes: interagia de forma sempre mágica e significativa, como num ritual onde eles (que apareciam na minha casa!) fossem representantes cabalísticos de "troca de favores espiritual"... Foi o começo do meu inferno mental, que até hoje digamos que ainda não tenha fechado seu ciclo, embora se manifeste cada vez com menor intensidade. Foi também o começo da fascinação pela solidão, às vezes mórbida, às vezes saudável... Bom, não quero aqui contar uma história de vida e sim lembrar a mim mesmo e aos amigos de boemia que aquela personalidade destrutiva-alegre não me deixou um bom legado, eu era feliz apenas por fora, por dentro restava só um vazio que de tão clichê tornou-se existencial e é sempre assim: ideias que vêm de fora pra nossa colonização (cultural, intelectual e mercadológica) seguir em frente. Não virei um santo e sei que não podemos prever o dia de amanhã. Hoje gosto de pensar que sou mais crítico e menos inconsequente. Quem gostava do que eu era naquela época nunca mais encontrou o mesmo cara e talvez não mais encontre...

Mas estávamos vivendo o agora, né? O que torna-se cada vez mais difícil devido a virtualização e crescente escassez de convívio em espaços públicos. O tempo muda a gente. Assim como a Katia, creio também não ter um temperamento nostálgico porque não tenho vontade de reviver essa época. Tenho saudade, mas hoje tento fugir do que não faz bem ao desenvolvimento material e subjetivo do que me cerca e do que sou.
O underground porto-alegrense morreu, isso é fato, galera... O lado bom: amizades que fiz e infelizmente, pela distância, não cultivo mais: Juliana Machado Lilia Graciela Fernandes Graciella Machado Dos Santos Jefferson Cruz Dos Santos Cleiton Motta Roberson Balbuena Anamaria Brasil e também aqueles fora do meu face: vocês estarão sempre no meu coração!!!!

 ~~FIM~~

(ps. to editando porque enviei o vídeo errado, mas deixo aqui pra manter o ar de espontaneidade e ato-falho kkkkkkkkk... o doc tá no comentário, rs. abraço!!!)

(nota de transanonymous: era um vídeo do Bonde das Bonecas)



    
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