26/02/2017

nariz

(já estou fugindo)
(já fugi)
(você ganhou)

Mania e também sintoma biossocialista que tentei dramatizar com o teatro da vertigem, concluí que a cena foi lida como desejo, pedido, visto que a equipe executava pavoroso gesto de limpeza nasal, cônscia de que magoava, gazeava olhos do espectador. Vim até aqui por causa de vocês, biografando cimento sobre meias verdades desse imenso leque com notas de noia e motivos de areia. Batizo processo de desertificação de subjetividades: menos aspectos pra submeter nomes ideais, aperfeiçoamentos exopessoais. Sinto quase irresistível vontade de masturbá-lo e caducar todo acúmulo de vã concentração. Coça a música ambiente, tento me controlar, já na fila do sopão:

- você é jornalista?
- não
- isso é o quê? uma agenda, um livro? vai anotar nossa conversa?
- não

(funga com desprezo enquanto tampo caneta com a boca)
(para tal registro volto a escrever)
(volta a fungar forte)


18/02/2017

vendo quem curtiu

17 de Fevereiro de 2017
Biblioteca Mário de Andrade

na esperança de que você ainda me lê, de graça. você que não sei quem é ou que ainda virá editar transfrígida, ao invés de seguir lendo Casimiro, sem espanto. minto,  ainda não terminei Ulysses. hoje faz duas semanas que Danuza alojou-se na Marconi, atraindo riqueza. se eu falo mocó atraio arrudas mortas, simples substitutas.

na verdade sou um corpo sedento por amores que nunca amaram nem desistiram de amar. pronomes românticos trolados ao léu, na vaidade. verdade, encontrei Soraya e confiro quem curtiu a foto. troco você, meu coração tu tu, tu...  tudo aceito no atestado. Kauê tbm. mtas curtissões.

recebi r$300 dos adiantados, imediatamente pensei em suruba, em fazer porcaria, mas me contive com visita teleguiada ao espaço 24 horas, sem agrotóxicos. o vídeo está sendo compilado, endireito coluna. com quem eu falo? manifeste-se, saia do casulo. penso em você, pensei que tinha esquecido, não saio da cama antes de descobrir teu cheiro na cabeça do meu pau, amanhecido em promoção de poluções epopeicas (você não curtiu minha foto). só ponho meu coração na mão de quem pode (ia escrever fode: o poder das palavras descarrila da realidade e tu fica parecendo um pastor esquizopositivista). coisa miúda, coisa de muié.

não tenho escolha a não ser gozar gostoso de amor e alegria.

06/02/2017

guardando textos

Pontapé inicial (audio): não quero mais saber de você acendendo essa coisa dentro do meu prédio! Ok, não sabia que era proibitivo. Esclarecida de berço, não aceitamos. Não sei se conhece, lá na minha terra temos um orgão conhecido como cérebro, e o usamos.
Blz, vou me matar, não me encaixo em nenhum nicho social, nenhum sexual, espiritual, amém? Blz, que triste, ninguém dá bola pra demanda diferentona, só. Não vai com a minha cara. Descendentes de italianos, não vão com a minha cara.
33 anos da mais pura angústia, clamorzinho aka voz enjoada monocórdica de vizinha fofoqueira libriana. Sempre no mesmo tom, lugar de famílias evangélicas, esclarecidas. Sem falar na insuportável delicadeza artificial. Vou fingir que não te espreitei, microfone close de falso despercebido.
O que quero é maior do que a inveja das águias, ao longe, inveja mineral que escamoteia teu corpo dissimulado. É muita frieza intelectual, já desencanei, meu. O que quero vai além dos teus preconceitos, falando o português bem claro: desculpe, vai embora. Meu lado mal-humorado, intolerante à burrice. Meu lado adulto está com medo dessa justiça coxinha, tucana. Ou seja: injustiça. Chega, Jesus! Chega! Eu e você, chega!
Eu regularizei o relógio biológico, eu conquistei muitos quadros. Os exibo, desigual, ao remorso. Escrevo à superação, penso no que me move. Me exibo.

Não faça tempestade em copo d'água (trovoada).

Ana C.
Não visitei teu túmulo de novo, meu amor. não fui na Toneleiros, fatídica.

Cedo.
Fui com Kauê no Ibira tentar vaga de natação. Vanusa ficou em casa toda gostosa na parte de cima do beliche. Não a tranquei. Passei café e saí trotando até a São Luís. Ainda escuro. Kauê me faz rir, meu compa lúmpem, não me trapaceie, porfa.
Depois encontrei Évelize na Praça da República. Depois dela atender celular e desligar na minha cara sem querer apertando botão de volume. Desculpou-se. Mas senti que meu lado mal-humorado acabaria aflorando e não insisti quando ela se despediu, com sono (por causa do antidepressivo). Tchau.
Então: chego na ocupação e a anta coordenadora do meu andar pergunta se estou no grupo de WhatsApp do prédio. Não posso mais acender incenso aqui dentro porque quem acende incenso é maconheiro!



FIM


               
                               






                






                                         ♥





04/02/2017

OLAR