27/08/2019

#EdinalvaLivre


08/01/2019

🤞

Maybe I didn't treat you
Quite as good as I should have
Maybe I didn't love you
Quite as often as I could have



Entre Casas Bahia e Teatro Municipal o cara dos teclados começa a expressar seu tom romântico de cover e o poder da caixa de som repercute até décimo andar da ocupação mais organizada e regrada de SP. Quase todo dia nesse horário café preto com pitadas de alecrim, sálvia e diarreia, 2 xícaras no mínimo, com pães e lanches de doação da noite anterior. Black cacau, cravo e canela em pó, curry e orégano por dentro (agora Ooooooh, my love, my darling
I've hungered... for yooooour touch).
Pantoprazol e espinheira santa, asplênio, palmeirinha, Maranta leuconeura. Canto versões bagaceiras/besteirol da playlist brazilian shitz, coreografias estrambóticas, sociedade normaloide. Ontem fiz trabalho de magia branca; ao sair pra rua quase ninguém se colocando no meu caminho, quase ninguém me olhando feio, quase nenhum cover da alma.
Não vou conseguir escrever no estilo transanônimo sobre últimos eventos sem cruzar dedos, ao modo de figa, último truque contra tendências transeuntes de atropelamento: Soraya Montenegro segue mancando até Estação República, só mija lá. Volto a fumar loucamente e deixo gravador ligado em surdina. Se ela souber dessa louca mania de registro deleto documentário do Xvideos e desisto da carreira de ator. Bright abriu o mar do desemprego ao confundir dicas de aposentadoria com paquera e DRT: morar no Palácio dos Artistas, cheirar na piscina do Sesc, trepar entre arbustos, no Anhangabaú, cheio de merda, seminu na Boca de Rango, à noite. Só mijo no Arouche.
Tava tendo saída de entulho da Capitão Salomão, por isso dei de ouvidos com seu eterno falsete ao abrir porta cheia de adesivos e cartazes de esquerda do lado de fora. Ganesha, lembretes, espada de São Jorge, sal grosso, ônix, cianita azul e vassourinha de bruxa no lado de dentro. Pedi que esfregasse crocs roxo sujo no tapete vermelho que, por sorte, na última limpeza, não empurraram dentro da cozinha pras gatas arranharem. Já era meia-noite e eu bem podia dar uma de podre, recusar seu corpo semifétido de interrompida hormonização trazendo dvds com série completa de Brinquedo Assassino na bolsa de Nega Veia. Chega equipe, paro de escrever: Você mora onde? Essa doação é só pra moradores de rua. Viro as costas. Cabisbaixo, estendo mãos a outro membro: angario kit, volto a escrever. Um gcm me observa à distância, perto das mamães e papais-Noéis. Perto do palco meia-dúzia de pardos pingados seguem abismados perante micagens pagas pela prefeitura. À minha esquerda e direita condenados saboreiam lanche, incluindo muié do ex-marido da inverossímil vilã mexicana. Volto a fumar.
Faço pedido: Ai, você não quer ir aqui do lado? Mostro bunda na Monteiro Lobato, fugimos do marmita à paisana, almoçamos omelete na China. Estou sustentando companhia com lanches, doces, gemidos/grunhidos de dor e prazer. Pensei que fosse passar Natal sozinho, refletindo, evoluindo, esmolando roupa na doação do Arouche. A sua letrinha é uma letrinha de neguinha veínha (risos), é uma letrinha toda diferentinha, toda detalhistazinha. Ontem eu e Kleos ficamos conversando sobre essa sua mania de ficar tirando foto. É que a gente é assim: não dá pra ficar tendo amizade com seu nome completo, numa língua vermelha, fio de cabelo na 2° noite de lua minguante, sob Ficus elastica. Piso na merda.

03/02/2018

para de ser doido!


Foi taróloga mendiga quem decretou: professores de teatro que também são atores não têm alunos, têm possíveis rivais. Para de ser doida! Antes de tirar ovo do cu e redigir fake news neopentecostais toma 16 banhos de anil, tapa umbigo com esparadrapo, carrega terço e ônix no bolso esquerdo, José, Ricardo, João, Rodrigo, Jackson, não digo, Odoyá, vela de 7 dias no sábado.

Foi um ano pra quem acredita em calendário, signos e fiasco. Na área das artes dediquei-me mais às cênicas do que às literárias: inveja mais próxima, arrivista e/ou competitiva suja, fez com que eu melhor avaliasse certo ímpeto meu em heroicizar a figura de professor - palavra que sempre brotou no peito, doce, indagativa. Os bonzinhos se fodem durante a maior parte das novelas mexicanas. Já em Terradois Jorge Forbes apresenta bastidores de esforçados tramando contra talentosos. Abstraí, tirei o ovo da camisinha e não fui selecionado. A italiana me deixou nervoso e ozóiudo mandaram zica suficiente pra rachar bendite frute.



assim como a poesia
vida é uma questão de sorte




Esse ano já limpei vidros, liguei pra sensitiva e fui atendido! Fui figurante principal de comercial; fiz cortinas com as mantas de doação; doei sangue; troquei chuveiro pela primeira vez na vida; contemplei mendiga arrumando cama, com todo cuidado, pruma boneca branca e loira; içei velas para o nada que nina a morte.




nome completo e data de nascimento





Tudo tem seu lado ruim.
Continuo sem dar mínima atenção a quem gosta de chamar atenção (e isso não é uma coisa boa, segundo minha homeopata). Não consigo disfarçar risadas de deboche (lembro-me da freira de Huxley, que de repente gargalhava num momento sério, ecumênico), minto que é de nervosismo que rio da incompreensão alheia, nas ruas: por que não param de ficar me olhando? Toda vez que estou triste, ansioso, depressivo, observam meus pensamentos, estão no futuro ou passado, eu sempre (preso) no presente, irrelevante, desempregado: banho de anil indiano; rosas brancas e vela branca de 7 dias pra Iemanjá; filho de Jesus; Bíblia aberta no Salmo 66; Oh! Deus glorioso! Abençoe este alimento; já gozô?; alfazema em sinal de cruz; 10 Pai-Nossos!




(cri cri cri...)




Sento no degrau de granito meio podre e sujo de cocô de pombos. Pés no irregular relevo de pedras portuguesas. Vou revezando posição do tórax, ora curvado pra frente ora recostado na cortina de ferro cinza de tinta e poluição. Nessa última posição, principalmente, quando pedestres se aproximam na tentativa de falar merda e/ou xingamento/opróbrio indireto à minha cabeça baixa que tenta se concentrar no smartphone. Costume bastante corriqueiro. Conversam normalmente mas à medida que se aproximam de algum depressivo, cabisbaixo, fechado em seu mundo vão acendendo o brilho perverso do olhar e gradativamente aumentando volume das matracas para que culmine d'ele levantar cabeça e dar atenção e/ou compreensão anal no exato momento em que vão falar palavrão e/ou limpar nariz. Nesse exato momento em que escrevo um mendigo à esquerda não para de me fitar. Como estou com o rosto perpendicularmente virado a seus olhos ele pensa que não estou percebendo, ou seja, desconhece o que seja visão global. Mais à esquerda, no mesmo degrau que ele, a mendiga que nina boneca ainda não xingou ninguém, não gritou suas imprecações às sombras platônicas dos transeuntes. A equipe que distribui comida fica olhando pra minha cara bem daquele jeitinho que detesto: misto de espanto, inveja e atração, tipo de olhar presente na minha vida e com o qual não consigo me acostumar. Só faltou eles perguntarem "O que você quer?" pra minha mão estendida. É uma daquelas equipes de brancos classe-média descendentes de imigrantes do programa de clareamento vindos do ABC Paulista para fazer caridade seletiva. Faz bem para o ego deles doar sopa aos pretos e pardos; fedorentos; maltrapilhos; bêbados; retirantes; cheiradores de thinner; às muié de ocupação (com carrinhos de bebê cheios de marmita e uma aleijada que às vezes esquece, sai da cadeira de rodas mas imediatamente é repreendida pela mãe, conhecida na Boca pela alcunha de "Índia"); travestis esquizofrênicas; ex-michês ex-detentos etc. Dória fechou a Tenda, então essa escória tá mais fedorenta ainda.




(o mendigo que não parava de me observar pede licença e faz cama do meu lado
pena de pombo cai à direita)




"Quem abriu esse segredo vai se ferrar muito!"




Não sei de onde tirei tanta pedagogia em tão longo espaço de tempo. De macumbado já basta eu, mas insisto na simpatia pela desgraça alheia. "Você tem que tratar essa síndrome de Bukowski!", aconselha Évelize. "Não é síndrome, é a minha vida!", retruca Xororó. Como vou sustentar uma trava quase cinquentona com cabeça de criança que destrói maloca quando estou no estrangeiro? Uma trava tão errada, burra, desmemoriada e irresponsável mas que se acha normal!? Sorry.



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Se eu não me engano comunicação e caos. Adorava esse número no início dos anos 2000, signo da paixão geminiana, nunca declarada, transmutada em amizade, apadrinhamento de seu primogênito com outro, mais yang que eu - que de mitomaníaco feliz me transmutei num sincericida, nos embalos dos ratos da noite, loucura bem fundamentada, declarada para ninguém, nem pra homeopata. Melhor cair fora.



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Alguém não para de tossir no quarto ao lado. Ontem aumentei muito o volume de uma música no celular (True Colors remix), e quando vi tinha alguém batendo forte na porta, eu tava cagando então apenas baixei o som e recebi um "THANK U!" do lado de fora. Deve ser esse traficante árabe de dread locks que pelo jeito vive dormindo. Acordei hoje umas 4am e pouco, se não me engano. Lavei roupas que estavam de molho, as coloquei em cabides, para secar, em apoios improvisados. Vesti a calça de tecido macio que comprei. Decidi não tomar banho, grudei esparadrapo no umbigo; ônix e terço no bolso esquerdo; camisa listrada branca e azul claro, de doação; chinelo; clotrimix® nas unhas dos dedos mindinhos secos dos pés e no anelar do pé esquerdo; boina cinza-claro (sexta); óculos de grau; cachecol que era da mãe; bolsa de couro a tiracolo. Subi pro restaurante da cobertura, tomei milky coffee, tentei brincar com gatos, mas eles são bem arredios e vegetarianos, assim como os cães, sem viço, débeis, opacos. Não paro de ver esses vídeos engraçados no Facebook, depois fico massageando e pressionando músculos do bigode chinês. Vou até a Estação Central de trens mas desisto de me aventurar, me arriscar com poucos recursos. Volto para o hotel trazendo cosméticos amargosos. Subo lá de novo, milky coffee de novo. Desço pro meu quarto, passou do meio dia, vai começar a bater sono que impus ao cérebro com carbamazepina. Iemanjá, minha mãe, dona do meu corpo, traga meu grande amor sem dramas, sem brigas, traga-me um amor sem garras depois do gozo, um amor puro e verdadeiro, um amor que tenha apenas um rosto.



da mesma forma
tudo também tem seu lado bom



🕯 🐚  💙  🌼  🍾  🍚  🌊

13/01/2018

URGENTE!!! Ministra delata presidente de estatal envolvendo mensaleira

A ex-ministra do Meio-Ambiente e Minas, Suelly Vittar (PSDB) acaba de arquivar denúncia envolvendo tríplex. No esquema de Furnas, Salety deixa o cargo após pressões da base aliada, permitindo assim que, em última instância, sejam expugnadas provas contra o juiz Sérgio Moro, sujeito à aprovação da ficha limpa em agosto último. A ministra teme que seu mandato interfira na candidatura da 3° Vara Distrital caso o prazo exceda 30 dias, propostos pela ala conservadora, por isso aposta no delator como estratégia de embargo estrutural à OAS.
Direto de Brasília, Suely embarcou nesta Quinta (12) à Unidade Semiaberta de regime para saudar a juíza tucana, numa demonstração de apoio ao condenado, o que desagradou Tieta (PSOL-BA), em nota oficial: "Não podemos mais compactuar com esses canalhas, todos vergonhosamente processados por lesa-pátria. A juíza dispõe de todos recursos cabíveis para estar vindo futuramente a homologar semiaberto, sem conformidade nenhuma com tais aloprados. É inaceitável empossar uma anta como essa para cargo de confiança." 
Como já era de se esperar a declaração causou desconforto na oposição. Segundo nota emitida pelo gabinete da porta-voz púbica, Tiaga Alencar estava nessa mesma tarde investigando possível desembarque, discreto e gradual, de possíveis declarações homoéroticas: "A ministra tem o legítimo dever de gozar do cargo, o que nos importa na atual conjuntura é averiguar se cabe nova contratação de equipe, e não condenar um vereador inocente por suas preferências de foro íntimo. É um absurdo! (...) Assim fica bem claro o porquê da diligência ao veto de tais medidas."
Gorete dos Milagres (DEM-OS) arquivou pedido da cândida virtual. Foi necessário mais corte de cargos na emenda constituinte, visto que a juíza decretou falido o projeto petista, enviado ao Congresso sob vaias na noite de apuração. Eram frágeis licitações sem aval de propinoduto, via de regra restavam brechas no texto final, pautas e putas deram o cu na última sexta, no Palácio do Jaburu. Tiaga achou exagerada a abordagem, exigindo transparência na buceta do deputado. Pode ser viável uma xota raspada sem muito prelo em primeira audiência ao trensalão sem-teto.


Katyfunda da Silva
direto de Brasília pela Reuters®

20/09/2017

confuso's

Normaloides não: desembainho caneta, pensativo¹, no busão, sem WhatsApp. Venho refletindo sobre alienação e, principalmente, suas manifestações esquizofóbicas que não se enquadram nos padrões normalizantes. Pra ir até Praça da República faço careta e voz retardada. Desembarco, e compro areia sanitária pras gatas. Peço carona de novo, faço voz de retardado de novo, sou bem sucedido de novo.
Etc.

Foi uma taróloga mendiga quem previu grande amor, em off. Já acreditava nos búzios que tangeram varizes da ex-impossível sogra, portanto esse K ♠ e/ou ♣ e/ou Q são colados em trinca, como arcano de força, na cabeceira. Estava começando a ficar irritado antes de entrevistar a vidente. Religião das pessoas que só coçam/limpam-nariz-quando-estão-a-sós ainda não usava Asepxia pra sonhar com amor bandido: que bosta, que exagero, tem gente que ainda se entretém com isso? Era mais fácil quando eu/você fazia festa de animação da burguesia. Estabeleci como meta escrever poema sobre pessoas de bem, daí matutei pois preciso de mais textos inéditos: é o que pedem editoras/editais/burguesas. Sem Minc vou lançar livro através da lei de incentivo à etiqueta marginal. Isso tá uma porcaria, sorry. Só pra encher linguiça de quem ainda crê. Dona Nil não me cobra mais aluguel atrasado, acho que é porque não atrapalho o fluxo. Então espero lanche na Boa Vista enquanto Bin Laden palestra aos voluntários. Pessoas realmente de bem são caridosas e/ou fraternas – como manda Márcia Fernandes.


¹ Comecei a escrever como forma de protesto, como se escrevesse com meu sangue, mas estou tentando seguir dicas da sensitiva contra o baixo-astral.

O que costuma motivar a escrever é o ódio.

16/08/2017

o povo


09/06/2017

juventude

Party Rock Anthem
jovens corpos alto astral
nus de academia, raves

raras imagens, vapor
derretem óculos Mormai
Gostosa película seiva

21/05/2017

beleza

13/04/2017

juventude


Party Rock Anthem no telão na sauna num daqueles raros momentos em que fora do vapor pessoas são jovens, felizes, drogadas num alto astral em corpos que podem se exibir nus de academia nas raves a campo aberto que nunca derretem atrás dos óculos Mormai. Ainda tenho tempo! Amanhã vou acordar cedo e trabalhar bastante pra ter dinheiro pra comprar meu corpo, meus amigos e meu carrão depois pra conseguir uma mina bem interesseira e gostosa.

Tão todos lá fora, lindos, rindo alto e gostoso.

No vapor, já vou, já vou.

26/02/2017

nariz

(já estou fugindo)
(já fugi)
(você ganhou)

Mania e também sintoma biossocialista que tentei dramatizar no teatro da vertigem; concluí que a cena foi lida como desejo, pedido, visto que equipe executava pavoroso gesto de limpeza nasal, cônscia de que magoava, gazeava olhos do espectador. Vim até aqui por causa de vocês, biografando cimento sobre meias verdades desse imenso leque, com notas de noia e motivos de areia. Batizo processo como desertificação de subjetividades: menos aspectos pra submeter aperfeiçoamento exopessoal. Sinto quase irresistível vontade de masturbá-lo e caducar todo acúmulo de vã concentração. Coça a música ambiente, tento controlar, já na fila do sopão:

- você é jornalista?
- não
- isso é o quê? uma agenda, um livro? vai anotar nossa conversa?
- não

(funga com desprezo enquanto tampo caneta com a boca)
(para tal registro volto a escrever)
(volta a fungar, forte)