11/08/2009

solidão escandalosa

Silêncio militar é coisa rara em boteco? Violência transcendental escamoteia análise? Engana-se quem pensa que fama é algo ruim, contradizendo liberdade. Liberdade de expressão, truta. Caminhando pelas ruas, à procura de compaixão, só... Eu não sou eu quando líder de caminhada noturna começa a falar de polícia e ladrão. Saindo da frente do teatro municipal, caminhantes aprendem sobre moradia popular, (i)migrações, arquitetura noir and, é claro, ruínas de antigo presídio (hj parque de jovens). Na Maria Paula tem uma pista de skate, e Carlinhos Ahmadinejad tava lá, aquela mina de cabelo rosa da mtv também, entre drops mó cabulosos. Caminhada seguiu sem medo pra frente quando skatistas pouco se importaram em dar coice na exclusão, à francesa, fraterna. Fraternidade lembra gnomo. Gnomo lembra infância de frio aconchegante. Quadro de lã estampando uma casa. Uma casa no campo. Um campo frio, afastado, perto do rio, lareira acesa, família, amor, felicidade, eternidade!
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...Palavra das verdes férias de Soraya, em Teerã. "Parece ser mais calor o clima envolta de ogivas": sensação de não estar aproveitando a vida por não saber vestir-se bem muito menos importar-se em sentir-se bonito. É tão óbvio: aparência não é importante na revanche de psicóloga ex-umbandista: dá bom dia pro mentor. Cacofonias não elegeram entrevistas inconscientes no boteco dos cearenses: até o mais viril maragato fica a deslumbrar-se com bela economia de palavras, digo, depois da sessão espírita, a arte de saber respeitar o próximo fuma cigarrinho e toma café com leite, pensando: me tratam tão bem aqui que nem penso tanto em Clarice Lispector. Permito que vossa mercê seja o que queres ser, eis a verdade. Mas ninguém permite que o encontro dê certo: finalmente, teatro oficina, aleluia!
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Evoé: Ellen Maria + Antonio Vicente Pietroforte + uma francesa y outra poeta aguardavam em frente ao recinto - já pré defumado com ervas da Jurema. Corre gira pai Ogum: tudo bem, houve cagadinha. Convite conjunto: desconsideração não pôde ficar nos colchões por causa de uma, a francesa. Pés não foram lavados e se vosmecê (estudante com carteirinha) quer pagar vinte reais (+ r$5 extra por taça de vinho) pra ver um monte de pau sem prepúcio, eis a oportunidade. Não pensei que a putaria fosse extrapolar, nem extrapolou: actrizes deviam ter igualdade de direito à nudez. Porque chega a hora em que banquete não mais apetece e adivinhações fracassam. Não fosse a semieufonia de uma actriz, distinguindo Eros no exato momento em que amores-próprios se distraem. Que tesão: preciso voltar a atuar. Preciso me entregar a alguém que, depois de ter-me, não vanglorie-se do feito, deixando-me beijar o vento. Tem que ser pai mãe e filho pra me pegar. Vixe, foi mal... Inteligência é dinheiro? Conhecimento é pobreza? Engana-se a voz do palhaço que agora fala asneiras na cozinha da pensão. Cof cof. Voz de criança feliz: consolo, ou lágrimas, lágrimas de luto fortíssimo!
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Luto por outra verdade: sem testemunhas, problemática não ocorre com Jurema: ela 100pri entende os poemas, "publicador" saiu na última edição d´A Cigarra e em breve, na Não Funciona: "público", "aqui" e "atmosfera potencialmente explosiva". Berimba de Jesus y Caco Pontes são manos de responsa. Na praça Benedito Calixto, um rápido bate-papo não se alongou na hora do almoço. Tinha que tirar roupas do varal, roupas estrangeiras. Não adianta: as coisas são como elas são. Caraleo. Pra que insistir nessa coisa de 100pri querer saber mais than o que nos é apresentado? Hj em dia não se pode mais ter segredos e omissões não devem ser tratadas com igualdade antes que assumam diferenças e toda leva de espertos ao contrário vá pro inferno. Já disse e repito, com algo a mais: nenhuma voz consola, muito menos perguntas. As coisas são como elas são. Se eu tenho ascendência alemã ou não isso fará diferença quando chegar 21/12/12?
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Estava pávido e feliz na apresentação de chorinho, no mercado municipal. De repente, do nada, uma mujer se virou pra mim e perguntou se eu era alemão. Nair, outra soulmate das Rosas, queria doar dicionário de português (de O a Z) + livro da International Accounting Congress y, é claro, dicas básicas de etiqueta antifumo. Muy digna. Não perguntei se a amiga dela tinha ascendência indígena e fui, com meus fantasmas, comer pão com mortadela + salada de frutas com mel 100% puro. Simbolicamente engolindo desaforum y, saciada, Ilda Geyer - ex-Gestapo - disse que não chegou ao Brasil nos anos 40, deixou-me sozinho na mesa, desceu as escadas com aquela bunda enorme e ganhou as ruas de St. 24 de marcés. Fiquei lendo Boletim do Kaos. Parabéns pela iniciativa dos editores: Alexandre de Maio e Alessandro Buzo. Mto da hora a matéria sobre Abu Jamal. Interessante o espaço que o jornal dedica a escritores marginais e/ou pouco conhecidos pelo ranço literário. Preciso conhecer o sarau da Cooperifa, Sacolinha, Cláudia Canto!
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Canto onde nada e ninguém entram sem aviso prévio: a Ocas" com Milton Nascimento tá bacana também. Li entrevista e quero ver filmes daquela psicanalista-cineasta que adora se encantar com moradores de rua. Pra quem não sabe eu vendi essa revista por mto tempo e tenho carinho pelo pessoal envolvido no projeto. Que saudades da Pilar, de Maria Alice... Saudades ensurdecidas por ciladas; não, amistoso no cio: Dostoievski me olha, tá na hora de acabar resiliência? Nunca. Esse mundo das letras é rançoso, estagnado, não adianta. Há mais dinamismo em artes cênicas, e menos estranhamento: não há nada q mate tão bem quanto olhar de estranhamento. Esse palhaço precisa do palco, urgentemente. Escrever é vício, poesia modo de vida, mas atuar faz bem pra saúde.
¡¡¡Zé Celso,
me ajude!!!

5 comentários:

Bruno disse...

Tu é tão multiplo nas palavras e nos lugares.
Eu queria mesmo te conhecer, eu realmente tenho a sensação de que estou deixando a vida passar por não me vestir bem.

Só espero te ver em breve.

A tua cidade parece um personagem, parece parte do que tu vive, enquanto a minha é uma vilã perversa com uma mecha de cabelo branco.

Abraços

Chicco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Chicco disse...

Não podia deixar de metodicamente vomitar com você.

Chego a compreender porque economiza tanto as palavras, quando as gostaria de ouvir. Simplesmente para me gozar num intermitente orgasmo verborrágico, capaz de fazer molhar as entranhas da mais frígida das estátuetas do oscar.

O que diagnóticar em você? Talvez que sofra da contagiante crônica poesia...

M E T A M O R F O S E disse...

Parabéns pelo seu trabalho!
Felizmente pude ler seus poemas no jornal O CASULO, que me encantaram prontamente!
Abraços e Sucesso!

ellen maria disse...

fazia tempo qeu não passava por aqui e li meu nome ainda nas suas linhas... nunca vou esquecer que tu me chamou de clone da cecilia meireles.
a gente se ve

mudei o meu blog.. aquele la outro.. eu perdi a senha.