05/04/2013

velhice

Gostaria de deixar aqui registrada minha impressão a respeito da passagem pelos 30. Em fevereiro deixei de ser jovem (Vinte e noVe) e fiquei véio, trincado (TRinTa). Janeiro foi foda, tava na seguinte encruza: ou fico, ou parto. Decidi partir pra tentar voltar a viver a MINHA vida, ou seja, já estava cansado de viver a vida dos outros. Já se passou quase um mês e sim, posso fazer a afirmação de que estou tendo uma boa velhice. Sim, decidi voltar ao inferno, a partir do mesmo círculo onde parei e morri, em 2010. Morri pela segunda vez pra poder fazer a seguinte afirmação: uma vez lúmpem, pra sempre lúmpem. Sim.

Soraya, Penelope, Kleos: não. Desembarquei frente aos índios e chorei, ainda sonhando dentro da névoa criada pelos 20's. Dos velhos amigos, após reencontro, posso afirmar que preciso de novos amigos. Me sinto sozinho, mas me sinto no controle. 2012 acabou e o mundo continuou, pra minha frustração. Em janeiro eu ainda tinha uma terceira alternativa, ao modo dos poetas, mas preferi decidir meu destino entre os vivos - por "vivos" entenda-se "aqueles em busca da terceira morte". Minha nova chefa falou dum cara que morreu num acidente de moto, aludindo ao meu futuro, assim como uma ex-namorada que sonhou estar contando pros seus filhos Esse cara podia ser o pai de vocês. Portanto se eu vir a morrer num acidente desse naipe fica aqui registrado Eu já sabia Pra que ninguém saiba.

Todo dia meu pau fica duro, meu cocô sai durinho. Meus 20's, judiados pelas terríveis 1° e 2° mortes, aprenderam a deixar os seguintes vícios: café preto; falar sozinho; fazer performances públicas do pajé na cidade grande; corcunda; carboidratos; poesia; política; teatro; não atravessar encruzas na diagonal; desenhar estrelas como minha mãe; acenar e sorrir para o nada; acreditar em sincronias macabras (quando  tenho estalos de compreensão aqui dentro, lá fora passa rápido o barulho do motor da moto); fazer listas; acreditar que isso é um testamento; ser romântico; ser; sim: deixo pra trás improvável ex-sogra que fez macumba pros 20's. Quando ela revelar essa maldade (que destruiu minha vida emocional) pros seus filhos, talvez eles, como vetores do feitiço, possam entender por que os bloqueei no facebook e é claro's na vida real.

Tenho vontade de viver.

Essa morte não é nem nunca foi minha.

2 comentários:

Erika por ela mesma! disse...

Interessante, gostei da espontaneidade!!!

um cara legal... disse...

Vlw!